Presidente da ABRAFESC alerta para grave problema no setor: as recuperações judiciais fraudulentas

Durante a reunião ordinária da Fecomercio, o presidente da ABRAFESC e do SINFAC-SP, Hamilton de Brito Jr., expôs as principais dores que o setor de fomento comercial vive atualmente: recuperações judiciais fraudulentas e o aumento da inadimplência. “Está faltando uma legislação mais séria para as recuperações de judiciais, grande parte desses pedidos hoje são fraudulentos. O caso da Americanas é típico e deu um péssimo exemplo para o mercado, o negócio está se alastrando. Somado a isso, a inadimplência quase triplicou”, lamenta Hamilton. O evento aconteceu na última segunda-feira, dia 27/3, reunindo na plateia representantes de 135 sindicados patronais, além da presidência e diretoria da instituição.
Para Hamilton, o momento de alta da Selic que poderia ser benéfico para o setor de fomento comercial está prejudicado pelo aumento da inadimplência e das recuperações judiciais. “Ninguém tem crédito no banco hoje, nem mesmo as boas empresas. E aquelas operações tradicionais de risco sacado, nem isso estão fazendo mais. Então, o nosso setor está extremamente demandado, o que é positivo. Mas o ruim é que o risco aumentou muito e, pela própria concorrência, as taxas caíram bastante. Só que toda essa inadimplência vai virar taxa lá na frente, isso vai ter que ser repassado”, afirma.
Para explicar o cenário atual do mercado de crédito, o economista e presidente do Conselho de Economia Empresarial e Política (CEEP) da Fecomercio, professor Antonio Lanzana, lembrou que um estudo da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica demonstra que o custo do crédito para empresas abertas mais que dobrou em relação a 2019, período pré-pandemia. “Estamos conjugando aumento de custo de crédito e rigidez de empréstimo de banco, simultaneamente com queda na capacidade de geração de caixa. O quadro diz que é uma tendência de aumento de inadimplência. E, particularmente nesse cenário, o comércio varejista é mais impactado. Foi um setor que se endividou para investir em 2020, teve que fechar a loja física, abrir loja virtual, investir em e-commerce, em segurança, e ao mesmo tempo, é um segmento que é muito afetado por inadimplência de pessoa física. Então, nós temos realmente um momento de dificuldade”, avalia.

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